sábado, 15 de agosto de 2009

Diário de uma romântica confessa


Querido diário, não sei dizer se ainda me encontro sob o forte efeito do apaixonante, e maravilhoso Edward Cullen, que fez esta senhora aqui com seus vinte e poucos anos na cara, atacar os livros da saga Crepúsculo dentro de poucos meses. Ou se é porque ando sozinha ultimamente. Não sei, mas uma coisa devo admitir: sou uma garota romântica. Romântica com "R" maiúsculo, com todas as glórias, sem tirar nem pôr. Daquelas que acreditam em príncipes encantados, na bondade das pessoas, e em finais felizes.

Mas é assim, a gente cresce,e logo as primeiras decepções aparecem. Percebemos que aquela ideia utópica do mundo cor de rosa é bem diferente da nossa realidade. Aos poucos temos que abandonar o príncipe no cavalo branco, a ilusão de que todo mundo é bom, a entender que o para sempre, sempre acaba, que o amor não passa de uma dor. Logo temos que derrubar nossos castelos de areia, deixar alguns sonhos fantasiosos de lado, e a nos tornarmos "adultos mais racionais", para evitar qualquer tipo de frustração que venha atravessar nosso caminho, é claro.

Respeito àqueles que pensam, e fazem da razão sua filosofia de vida. Mas acredito piamente que estou longe de pensar, e agir como tais. Tem coisas que por mais que a gente amadureça, queira, ou até insista em mudar nossa maneira de ser, não conseguimos. Sabe-se lá quantas vezes quebrei a cara, quantas vezes fiquei com raiva de mim, por ter me envolvido demais, quantas vezes jurei de pés juntos que nunca mais, por hipótese alguma, voltaria a me apaixonar, e fiz exatamente tudo, AO CONTRÁRIO. A verdade é que deixar para trás o que acreditamos para dar uma de adultos corentes, negando tudo que sentimos por medo de sofrer é algo no mínimo, difícil, diria até, infantil.

Talvez eu tenha abusado um pouco na dose dos contos de fada, eu sei. Talvez eu tenha os levado muito a sério. Ou talvez , meu lado "brega", seja pelo simples fato de ser parte da minha pessoa. De todas as hipóteses, essa possivelmente é a mais sensata de todas elas, devo reconhecer. Mas também reconheço que para quem pensa como eu nos dias de hoje, paga um certo preço de verdade, mas nem por isso deixa de ter suas vantagens, afinal de contas, no amor não há garantias. Se não nos doarmos, se não arriscarmos, como acharemos nossa tampa da panela, nossa alma gêmea, nossa metade da laranja, ou coisa parecida?

Nosso problema é medo, temos medo de se entregar, de tentar, de chorar, de perder. Enquanto alguns, adoram demonstração de carinho, um bilhetinho apaixonado, andar de mãos dadas, um beijo roubado, uma rosa dada numa hora inesperada, do cuidadodo outro, do abraço, do cheiro de quem amamos. Caramba, tem coisa melhor? Mas tem aqueles que acham isso meio fora de moda, ultrapassado. Então tudo bem, ora. Ainda que eu seja meio quadrada com esta minha mentalidade, ainda que príncipes sejam apenas humanos cheio de defeitos assim como eu. Ainda que o amor já não seja "para sempre", assim como nos livros, ou como já foi algum dia, ( apesar desse mundo superficial em que vivemos, cheio de relações frias, ) ele ainda existe, então que seja infinito enquanto dure. Que me chamem de boba, coração mole, ou qualquer coisa do gênero, não me importo, eu não vou mudar mesmo, é o que eu sinto, o que sou.

No fundo, no fundo, acho que todos nós temos pelo menos, um pouquinho de esperança no amor, nas pessoas, no mundo. E é exatamente esta esperança que faz toda diferença. Faz com que a gente continue acreditando que de uma hora para outra vai dar certo. Sei que uma perfeição de namorado como o Edward Cullen está para nascer, tirando é claro, o fato de ser vampiro, hehe! Mas se já tiver um pouquinho, só um pouquinho de sua gentileza, de seu jeito já vai ser incondicionalmente e irrevogavelmente muito bem amado, e recebido. Enquanto isso, eu vou lendo, eu vou esperando, afinal de contas, romântica eu sou.


Ao som de "Long Night" (The Corrs)